Diabo e Demônio: Reflexão de bar

Estavam ambos sentados à mesa no Chinfrins do Mal sem Fim (um dos restaurantes medíocres do Inferno) terminando sua refeição enquanto conversavam sobre sua rotina de trabalho.
– Diabo, tu como agem aquele povinho? – Disse Demônio, quebrando a monotonia do assunto.
– Estás falando de quem, Demônio?
– Dos humanos, ora. Aquele povinho alheio sempre temendo ao Satanás…
– Infernos. – Diabo, já sem paciência para o assunto. – Por que iria eu ligar para a forma com que aquele povo se comporta? Não foi assim desde sempre?
– É só que me incomoda o fato de que temem à uma coisa só, como se houvesse um grande e único mal. – Falou essas últimas palavras gesticulando suas mãos e dedos no ar, como quem caçoa indignado. – Nem preciso explicar, você sabe que existe muito mais que o Satanás.
– Seu fuleiro, e você quer que isto mude? Quer que eles fiquem espertos? Se esses imbecis se tocarem e preocuparem-se conosco, maus menores, até o próprio Coisa Ruim se enfraquece. E se o Coisa Ruim se enfraquece por de pequenas ações boas, eu não ganho meus banquetes de mal, podridão e tudo que há de ruim. Então deixe de suas fuleiragens e termine logo sua bebida, precisamos voltar ao trabalho.
Demônio e Diabo terminam seu horário de almoço e retomam sua infinita rotina de trabalho na Terra e no Inferno.

L. E. Farias

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