Marcas-me

Marcas-me.

Apenas sabes pouco sobre o que fazes comigo, e só sabes porque te digo, ainda que embaraçado, por medo de te repelir.
Também, ainda que legitimamente receoso em ser plenamente sincero contigo, minha paixão, quero dizer-te como você me marcou.
Em meu peitoral direito descansa a rubra e funda marca em minha pele, originada nas noites que passei em claro, pressionando meu violão contra meu torso, enquanto compunha melodias em teu nome.
A ponta de meu indicador direito já não tem mais curvas tão sinuosas. Ângulos marcados em meus dedos apresentam-se como resultados dos metros de versos por mim escritos e dedicados ao teu toque. Nem todos os papéis escritos tomaram forma viva, mas todos me fizeram sentir muito vivo.
E ah, coitado do esmalte dos meus dentes, agora já tão íntimos da cafeína que insiste em me vidrar em obras melancólicas sobre paixões intensas, mas tão indecisas quanto a sofrida Flor de Lis de Djavan.
Marcaste-me e nem sabes.
Lembra-te daquele nosso beijo. O mesmo que eu julgava como não podendo ser real. Aquele beijo que fez tua boca rosada avermelhar-se de paixão e desejo. Com prazer, tive minha epiderme banhada pelo teu perfume.
Que me sirvam as páginas em branco como veículos de minha esperança de que vais me marcar cada vez mais, por mais tempo, por mais nós.

L.E. Farias

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